Emily Brontë – A Noite Escurece em Torno de mim, Amor e Amizade, A Prisioneira e Últimas Linhas

John William Waterhouse

A Noite Escurece em Torno de Mim

A noite escurece em torno de mim,
Os ventos selvagens friamente golpeiam;
Mas um tirano feitiço me ligou a isso,
E eu não posso, não posso ir.

As árvores gigantes se curvam
Seus ramos nus pesados com a neve;
A tempestade desce rápido,
E ainda assim eu não posso ir.

Nuvens sobre nuvens acima de mim,
Ruína além e ruína abaixo;
Mas nada sombrio pode mover-me:
Eu não vou, não posso ir.

The Night is Darkening Around Me

The night is darkening round me,
The wild winds coldly blow ;
But a tyrant spell has bound me,
And I cannot, cannot go.

The giant trees are bending
Their bare boughs weighed with snow ;
The storm is fast descending,
And yet I cannot go.

Clouds beyond clouds above me,
Wastes beyond wastes below ;
But nothing drear can move me :
I will not, cannot go.

http://famouspoetsandpoems.com
Tradução: Maria Oliveira

Brian Froud - Rose Briar

Amor e Amizade

O amor é como a roseira brava,

A amizade como o azevinho -

O azevinho está escuro quando a roseira brava floresce,

Mas qual florescerá mais constantemente?

A roseira brava é doce na Primavera

As suas flores de Verão perfumam o ar.

No entanto, esperem que o Inverno venha de novo

E quem chamará à roseira brava bela?

Então rejeita a volúvel grinalda de rosas agora

E cobre-te com o esplendor do azevinho

De modo que quando Dezembro atingir a tua fronte

Ele possa ainda deixar a tua grinalda verde.

Love and Friendship

Love is like the wild rose-briar,
Friendship like the holly-tree –
The holly is dark when the rose-briar blooms
But which will bloom most contantly?
The wild-rose briar is sweet in the spring,
Its summer blossoms scent the air;
Yet wait till winter comes again
And who wil call the wild-briar fair?
Then scorn the silly rose-wreath now
And deck thee with the holly’s sheen,
That when December blights thy brow
He may still leave thy garland green.

John William Waterhouse

A Prisioneira

Saibam ainda meus tiranos, eu não estou condenada a vestir
Ano após ano a melancolia, o desespero, a desolação;
Um mensageiro de Esperança vem a mim cada noite,
E oferece vida curta, liberdade eterna.

Vem com os ventos do oeste, com os ares errantes do anoitecer,
Com esse claro crepúsculo de céu que traz as estrelas mais densas:
Ventos tomam um tom pensativo, e estrelas um lume tenro,
E sobem, e mudam visões que me matam de desejo.

Desejo de nada conhecido nos meus anos mais maduros,
Quando a alegria enlouquecia de pavor, contava  as futuras lágrimas:
Quando, estando o céu do meu espírito cheio de flashes de calor,
Eu não sabia de onde eles vinham se do sol ou se da trovoada.

Mas primeiro, um silêncio de paz —uma calma sem som desce;
A luta da angústia  acaba a impaciência feroz.
Música muda acalma meu peito —harmonia indescritível
Que nunca poderia sonhar, até que a Terra se perdesse para mim.

Então amanhece o Invisível; o oculto revela sua verdade;
Meu senso externo foi-se, minha interna essência sente;
Suas asas são quase livres —seu lar, seu porto achou,
Medindo o abismo inclina-se, e ousa dar o salto final.

Oh, terrível é a prova —intensa a agonia—
Quando a orelha começa a ouvir, e o olho começa a ver;
Quando o pulso começa a palpitar —o cérebro a pensar outra vez—
A alma a sentir a carne, e a carne a sentir a corrente.

Contudo eu não perca o ardor, nem deseje menor tortura;
Quanto mais a angústia atormenta, mais cedo abençoará;
E vestido com o fogo do inferno, ou brilhante com luz celeste,
Se ele é o arauto da Morte, a visão é divina.

The Prisoner

Still let my tyrants know, I am not doomed to wear
Year after year in gloom and desolate despair;
A messenger of Hope comes every night to me,
And offers for short life, eternal liberty.

He comes with western winds, with evening’s wandering airs,
With that clear dusk of heaven that brings the thickest stars:
Winds take a pensive tone, and stars a tender fire,
And visions rise, and change, that kill me with desire.

Desire for nothing known in my maturer years,
When Joy grew mad with awe, at counting future tears:
When, if my spirit’s sky was full of flashes warm,
I knew not whence they came, from sun or thunderstorm.

But first, a hush of peace—a soundless calm descends;
The struggle of distress and fierce impatience ends;
Mute music soothes my breast—unuttered harmony
That I could never dream, till Earth was lost to me.

Then dawns the Invisible; the Unseen its truth reveals;
My outward sense is gone, my inward essence feels;
Its wings are almost free—its home, its harbour found;
Measuring the gulf, it stoops, and dares the final bound.

O dreadful is the check—intense the agony—
When the ear begins to hear, and the eye begins to see;
When the pulse begins to throb, the brain to think again,
The soul to feel the flesh, and the flesh to feel the chain.

Yet I would lose no sting, would wish no torture less;
The more that anguish racks, the earlier it will bless;
And robed in fires of hell, or bright with heavenly shine,
If it but herald Death, the vision is divine.

Fontes:

http://andar21.fiestras.com
http://famouspoetsandpoems.com
Tradução do galego do andar21.fiestras.com: Maria Oliveira

Lord Frederic Leighton

Últimas Linhas

Não é alma covarde a minha,
Não há tremor na esfera do mundo, atribulada de tormenta:
Eu vejo as glórias do paraíso brilhar,
E a fé brilha igual, armando-me frente ao medo.

Oh, Deus dentro do meu peito,
Deus todo-poderoso e onipresente!
Vida—que em mim tem residido,
Como eu—Vida imortal—em Ti tenho poder!

Vãos são os mil credos
Que os corações humanos movem: indizivelmente vãos;
Inúteis como ervas daninhas murchas,
Ou inútil espuma em meio ao mar ilimitado,

Para despertar dúvida em um
Segurando rápido tua infinidade;
Tão seguramente ancorado
Na inabalável rocha da imortalidade.

Com amor oni-abrangente
Teu Espírito anima os anos eternos,
Permeias a prole acima,
Muda, sustenta, dissolve, cria e cultiva.

Ainda que terra e o homem desaparecessem,
E sóis e universos deixassem de existir,
E Tu ficasses sozinho,
Toda existência existiria em Ti.

Não há lugar para a Morte,
Nem átomo que possa seu poder anular:
Tu ,Tu és o Ser e a respiração,
E o que Tu és nunca pode ser destruído.

Last Lines

NO coward soul is mine,
No trembler in the world’s storm-troubled sphere:
I see Heaven’s glories shine,
And faith shines equal, arming me from fear.

O God within my breast,
Almighty, ever-present Deity!
Life–that in me has rest,
As I–undying Life–have power in Thee!

Vain are the thousand creeds
That move men’s hearts: unutterably vain;
Worthless as wither’d weeds,
Or idlest froth amid the boundless main,

To waken doubt in one
Holding so fast by Thine infinity;
So surely anchor’d on
The steadfast rock of immortality.

With wide-embracing love
Thy Spirit animates eternal years,
Pervades and broods above,
Changes, sustains, dissolves, creates, and rears.

Though earth and man were gone,
And suns and universes cease to be,
And Thou were left alone,
Every existence would exist in Thee.

There is not room for Death,
Nor atom that his might could render void:
Thou–Thou art Being and Breath,
And what Thou art may never be destroyed.

http://andar21.fiestras.com
http://famouspoetsandpoems.com
Tradução do galego do andar21.fiestras.com: Maria Oliveira

2 Respostas

  1. Danielli Costa | Responder

    Tudo muito lindo aqui. Eu queria saber onde você arranja essa imagens. Incrível. Pelo que entendi e tudo sobre escritoras mulheres, fiquei apaixonada pelo nível de leitura. Obrigada.

    1. Maria Oliveira | Responder

      Olá Daniellli,
      Então, as imagens vem da minha segunda paixão que é a pintura, por isso eu ilustro meus posts e uno as duas artes. Como você pode ver, abaixo da ilustração tem o nome do pintor. E eu realmente escrevo sobre as escritoras inglesas porque elas deixaram uma marca profunda na minha infância: “O Moinho a Beira do Rio” e “Adan Bede” de George Eliot, me deixaram apaixonada pela Inglaterra e a vida no campo.
      Quando vocês me agradecem pelo blog eu sei que atingi o meu propósito.:)

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